O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (2D), ladeado pelo presidente da Assembleia da Republica, Ferro Rodrigues, primeiro-ministro, António Costa (E) e o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, durante um minuto de homenagem aos combatentes mortos, durante a cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas. Portalegre, 10 de junho de 2019. NUNO VEIGA/LUSA
10 Junho: Marcelo salienta Portugal país resistente e sem complexos na sua História


Portalegre, 10 jun 2019 (Lusa) - O Presidente da República salientou hoje que Portugal está a menos de três décadas de comemorar 900 anos como nação independente e defendeu que os portugueses são resistentes e não têm complexos em relação ao seu passado.

Esta mensagem foi transmitida por Marcelo Rebelo de Sousa nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Portalegre, perante os titulares dos diferentes órgãos de soberania nacionais, entre eles o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, mas que também foi escutada pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca.

Antes de partir para Cabo Verde, onde hoje e na terça-feira vão prosseguir as comemorações do 10 de Junho, o Presidente da República lembrou que "faltam menos de três décadas" para Portugal completar 900 anos de existência.

"Não há muitas nações do mundo assim. Resistimos à perda da independência, resistimos às crises económicas, financeiras, políticas e sociais, resistimos aos erros e fragilidades - e não só sobrevivemos como queremos apostar no futuro", sustentou o Presidente da República.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, os portugueses recordam o seu passado sem qualquer atitude complexada - aqui, num recado para algumas correntes internas mais críticas ao nível da interpretação histórica, designadamente no que respeita ao período colonial.

"Não temos complexos quanto ao nosso passado - todo ele, o melhor ou o pior. Todo ele foi Portugal e honramo-nos daquele passado - e foi muito, e foi essencial, e foi decisivo, mais dignificando a nossa História", disse.

No seu discurso, o Presidente da República retomou a ideia de "território espiritual" ao referir-se aos portugueses que vivem fora das fronteiras físicas do país e deixou um apelo para futuro: "sermos cada vez mais uma comunidade de pertença, de inclusão, que permita a realização da felicidade de cada um".

"Nessa medida, [que sejamos] uma plataforma entre culturas, civilizações, oceanos e continentes. Que esse futuro preserve a nossa identidade nacional, a nossa abertura ecuménica aos outros, mas também nos obrigue a uma maior capacidade para anteciparmos as mudanças, para reforçarmos o orgulho de sermos portugueses - a começar nas crianças, a continuar nos jovens e a terminar em todos os portugueses, que têm direito a um futuro melhor", declarou.

O chefe de Estado manifestou então a esperança de que esse futuro de Portugal seja "muito mais justo, muito mais solidário, muito mais humano do que o passado que honramos e o presente que construímos".

"E vai sê-lo, tenho a certeza, porque acredito, porque nós acreditamos em Portugal", completou.

Outra ideia frisada por Marcelo Rebelo de Sousa foi a de "uma só pátria na diversidade dos portugais que a formam cá dentro".

"Uma só pátria na riqueza dos portugais que as nossas comunidades criam lá fora. Uma pátria irmã de muitas outras pátrias que, connosco, partilham uma comunidade de língua e de pessoas. Uma só pátria na diversidade dos portugais que a formam cá dentro", acentuou, antes de elogiar a cidade de Portalegre.

No entanto, neste capítulo, o Presidente da República voltou a deixar um alerta sobre "os portugais esquecidos" e defendeu um compromisso "em relação aos portugueses e portuguesas que resistem à distância física e política".

"São cidadãos que não renunciam a ser cidadãos de primeira, tão de primeira como aqueles que nasceram, viveram e morreram nas metrópoles onde mais depressa têm a sua sede os poderes públicos. Um 10 de Junho em Portalegre não acaba no dia 10 de junho, tem de ser mais do que um rito de passagem, mais do que uma conveniência de ocasião. Tem de ser um compromisso de futuro para com esta terra e para com esta gente", acrescentou.
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